Naquela manhã fria de outono, Dona Etelvina, faxineira contratada, estava limpando o escritório quando, estupefata, descobriu um bebê dormindo dentro de um cesto de lixo.
O caso provocou tanto rebuliço em toda a empresa que durante vários dias tudo o que se ouvia pelos corredores eram especulações sobre esse mistério.
Quem teria tido a ousadia de cometer tamanha desfaçatez? Estaria algum funcionário da empresa envolvido nessa trama? Seria a vingança de alguma secretária grávida de algum gerente?
Convencido de que a produtividade da empresa estava em risco, o Presidente resolveu mandar apurar o caso e para isso contratou uma equipe de auditores de altíssimo nível que, após duas semanas de observações, análises e entrevistas, concluíram que o bebê não era produto de nenhum funcionário da empresa, pelas seguintes razões:
1. Naquela empresa, nunca nada tinha sido feito com prazer.
2. Jamais duas pessoas colaboraram tão intimamente entre si.
3. Até então, ninguém nunca tinha feito algo que tivesse pé e cabeça.
4. Naquela empresa coisa alguma ficou pronta em apenas nove meses.





