Como funciona a poligamia

No popular drama da HBO “Big Love”, Bill Paxton faz o papel de um homem com três esposas, que moram uma ao lado da outra e dividem um quintal. É uma série de ficção, mas para muita gente a poligamia é realidade. A Suprema Corte de Utah aprovou a proibição da poligamia no Estado e um líder polígamo de uma igreja, Warren Jeffs, foi preso após estar na lista dos 10 fugitivos mais procurados do FBI por fugir de processos de acusação, incluindo conduta sexual com menor de idade.

Atualmente, a maioria dos ocidentais encara a monogamia como uma forma “normal” de casamento. Mas ao que se constatou, práticas estritamente monogâmicas são minoria. Na verdade, culturas que praticam alguma forma de poligamia excedem, em grande número, as culturas monogâmicas. Alguns críticos sugerem que a prática ocidental de freqüentes divórcios e seguidos casamentos representa uma forma de poligamia. No entanto, a maioria dos antropólogos a considera como monogamia em série, pois ninguém se casa com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

Mais sobre poligamia
A poliandria é rara, mas sociedades que aceitam tanto múltiplos maridos quanto múltiplas esposas são ainda mais raras. A tribo Zo’é, da Amazônia, é um exemplo desta prática.

O povo Nyinba, do Nepal, pratica a poliandria fraterna. Poliandria é uma forma de poligamia em que uma mulher tem vários maridos. Na cultura Nyinbian, quando uma mulher se casa com um homem, ela também se casa com todos os seus irmãos. Todos os irmãos têm igual acesso sexual à esposa e toda a família cuida das crianças, embora reconheçam cada irmão como pai de uma determinada criança. Este tipo de estrutura matrimonial concentra a riqueza e recursos de todos os irmãos dentro da família e também as terras e riquezas de seus pais.

Por outro lado, a poligamia contempla homens que têm acesso a mais dinheiro e recursos do que outros. É preciso muito trabalho e dinheiro para sustentar várias esposas e filhos. Em termos biológicos, este homem é uma ótima opção para reprodução e transmissão de genes para a próxima geração, que, provavelmente, também seria bem-sucedida. Um homem pode ter muitas crianças em pouco tempo, enquanto uma mulher é limitada a uma gravidez a cada nove meses. Se o homem de sucesso tiver muitas mulheres, ele pode transmitir seus genes mais freqüentemente. Isto é uma vantagem em sociedades em que a reprodução rápida e freqüente é vital para a sobrevivência. A doutrina judia antiga encorajava a poligamia porque os judeus eram minoria e precisavam aumentar seus números rapidamente. Atualmente, alguns grupos de judeus ortodoxos defendem a poligamia, e alguns estudiosos acreditam que o Talmude contém passagens sugerindo a tolerância e até mesmo encorajando a poligamia.

No Brasil, o regime de casamento é monogâmico e não poligâmico. Mas, pela primeira vez na história brasileira, a poligamia foi reconhecida judicialmente, em 2005, no caso que envolveu o interesse de três viúvas que – pelas “leis dos silvícolas” – casaram, quase ao mesmo tempo, com o mesmo homem, o índio Parara Waiãpi. As irmãs Massaupe, Anã e Sororo, todas filhas do cacique Kumaré Waiãpi eram as esposas de Parara e dessas relações nasceram quatro filhos.
Em 2005, quase cinco anos depois do falecimento do índio Parara, a Justiça Federal no Amapá reconheceu que as três viúvas têm direito à imediata liberação do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, depositado em nome do índio e à pensão por morte, cujo valor deve ser dividido entre elas e os filhos.

Tradições islâmicas discutem diretamente a poligamia. O Corão determina que um homem pode ter até 4 esposas, mas somente se puder sustentá-las e tratá-las igualmente. Muitas sociedades islâmicas continuam a permitir a poligamia, mas normalmente apenas os homens de maior poder aquisitivo conseguem dar conta de várias mulheres. A ocidentalização tem levado muitos jovens muçulmanos a encarar a poligamia como fora de moda.

No Vietnã, a poligamia é ilegal, mas existe uma razão prática para isso: décadas de guerra desgastaram seriamente a população masculina. A poligamia também era comum na China antes do Confucionismo, que apoiava a prática, mas acabou caindo em desuso. Muitas tribos africanas, tribos indígenas americanas e celtas pré-cristãos praticavam a poligamia, normalmente sem restrições conservadoras em relação aos aspectos sexuais que caracterizam a poligamia dos mórmons.

A seguir, daremos uma olhada nos mórmons, na poligamia e no sistema legal americano.

Poliamor, bigamia e “swingers”

A poligamia é normalmente confundida com poliamor e bigamia. A bigamia ocorre quando um homem se casa ilegalmente com mais de uma mulher. Por exemplo, ele pode se casar com uma segunda mulher antes de concluir seu divórcio. Em raros casos, homens têm vida dupla, casando com duas mulheres e sustentando duas famílias, sem que uma saiba a respeito da outra. Praticar poligamia em um país com leis que a proíbe é tecnicamente bigamia.

Poliamor é o conceito de estar apaixonado por mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Polígamos praticam poliamor, mas poliamoristas não necessariamente praticam poligamia. Podem viver de forma que vários adultos formem uma família, dividam os gastos, cuidem das crianças e façam sexo uns com os outros. No entanto, normalmente não tentam formar um casamento de acordo com a lei. Existe uma linha tênue entre uma família poliamorosa e uma poligamista. Poliamoristas tendem a ter visão comunitária e liberal, enquanto polígamos normalmente vêm de ambientes de religiões conservadoras.

Swingers são pessoas casadas que praticam sexo abertamente com outras pessoas, além de seus parceiros. Normalmente não entram em relacionamentos duradouros, além de amizades, nem mesmo formam estruturas familiares: o foco é somente no sexo.

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